Portugal, é desde há muito um pais onde os alunos tem horror à matemática. Começam com dificuldades na primeira classe, arrastam-se penosamente até ao nono ano, e apesar de gostarem de ciência, enveredam por um curso qualquer de humanidades, como refugio seguro do papão dos números.
A matemática tem como base o raciocínio lógico, assim como a capacidade de olhar para um problema de diversos ângulos, na busca da sua solução.
Lembro-me de quando andava no 9º ano, já frustrado com tanta trigonometria, ter perguntado à minha professora de matemática para que servia tudo aquilo. Respondeu-me com um sorriso, dizendo que quanto mais não fosse, servia para pensar. Na altura achei a resposta parva. Em retrospectiva, dou-lhe toda a razão.
Parece que em Portugal não se estimula o raciocínio, a analise, o pensamento critico.
Com o estigma de não dominarem a malvada matemática, os nossos alunos enveredam por caminhos que são segundas ou terceiras escolhas. Conformam-se com um percurso académico e depois profissional, com que não se identificam. E por cá, para ser bom aluno, não é preciso espírito critico. Pelo contrário. Cá, o que faz falta, é uma boa capacidade de marranço, ter facilidade em despejar numa folha de papel, aquilo que se decorou de trás para a frente.
Na verdade, é mais fácil lidar com cidadãos, consumidores, ou crentes, pouco habituados ao raciocínio critico. Mas julgo que a origem do problema não é uma conspiração maquiavélica, congeminada por grupos na sombra. É apenas pura incompetência.
Creio que uma solução para este problema, seria dividir as turmas geralmente numerosas, em duas ou três sub-turmas, sempre que houvesse a disciplina de matemática. Cada uma com o seu professor. De certeza que um professor com 10 alunos, consegue dar um acompanhamento a cada um, que não conseguiria se tivesse 30. Seria obviamente mais caro para o Estado. Mas os benefícios pagariam varias vezes os custos desta medida. No fundo, até isto é um problema de matemática.

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