Quando ouvi as primeiras notícias, na passada segunda feira, ri-me porque já sabia o que aí vinha. O país que cheira a mofo levantou-se, os fantasmas salazarentos, a censura e os "ai meu deus" fizeram-se ouvir e a polémica estalou.
De facto, nem com lavagens de imagem mediáticas a igreja, ou alguns dos seus representantes, não conseguem esconder o seu espírito inquisidor, a sua dificuldade em lidar com as críticas ou com simples opiniões. Saramago consegue mostrar uma coerência relativamente a este aspecto, notável. Aliás, como escritor nota-se que respeita as palavras e as trata com o seu devido significado quando, por exemplo se refere aos "incestos, violência de todo o tipo, carnificinas, etc". E se a Bíblia fala disso, porquê escondê-lo?
Mas a igreja tem vergonha de mostrar o que é, os sectores conservadores e fascistas da nossa sociedade têm vergonha de mostrar o que são. E mostrou-se que vivemos no país do "não toques nisto". Vivemos num país que quando tem de ressuscitar Salazar, ressuscita-o. E eles apareceram aí, Sousa Lara foi ressuscitado, o porta-voz da Conferência Episcopal, Manuel Morujão também se insurgiu, passando pelo vociferar do eurodeputado Mário David. Cá estão eles outra vez, os negacionistas, os envergonhados que perdem a vergonha quando lhes põem o dedo na ferida!
Os mesmos que se envergonham e escondem as carnificinas organizadas pela mesma igreja que eles defendem. Os que necessitam de encobrimentos para negar o que começaram os "descobrimentos", porque esse sangue, essa intolerância, esse ultraje que foi e é o saque de África e da América não pode ser contada, não pode ser lembrada por pôr em causa muitos dos negócios e das riquezas que alguns deles ainda possuem. A igreja e os conservadores querem dar uma imagem de tolerância mas não conseguem e arreganham os dentes quando alguém os põe em causa.
O pior inimigo do obscurantismo é o racionalismo. Quanto mais obscuros forem as riquezas geradas no nosso país, pior para nós, pessoas. Este combate é um combate contra a estupidez, contra a ignorância, é um combate que já leva muitas batalhas ganhas em nome da tolerância e da liberdade. Neste combate, estou com Saramago pela sua lucidez.

Sem comentários:
Enviar um comentário